Toninho Cerezo: o insubstituível

* Publicado na Gazeta Esportiva de 21/06/1982

CerezoSEVILHA (De Wanderley Nogueira, especial para A GAZETA ESPORTIVA) – O jogador Toninho Cerezo é um dos jogadores brasileiros que a imprensa internacional mais destaca. É considerados um dos mais perfeitos futebolistas do planeta. Antes mesmo de jogar nesta Copa do Mundo, os críticos diziam que o Brasil “tinha uma arma secreta guardada…”. ontem, por exemplo, o Correio de Andaluzia, abriu a seguinte manchete enaltecendo o jogador brasileiro: “Toninho Cerezo, magia en las boats”.

Isso deixou o técnico Telê Santana ainda mais animado, afinal, ele sempre disse – desde o Brasil – que no instante em que pudesse contar com Cerezo, “teria que arrumar uma maneira para ele entrar…”

Uma longa entrevista com o meio campísta, Carlos Alberto Pintinho, ontem vinculado ao Sevilha F.C, mostra a opinião deste jogador: “O Cerezo é o mais perfeito meio campo do mundo. Depois dele venho eu…”

Ao sair para a área onde ficam os jornalistas e radialistas, Cerezo teve que conceder inúmeras entrevistas sempre fazendo prevalecer o seu jeito simplório de bom mineiro. Sorridente, brincalhão e em muitas oportunidades cínico, ele foi falando sobre a vida, sobre suas ansiedades e sonhos. É o tipo do jogador que fala o que pensa, dificilmente escorregando ou ferindo éticas. Tem vocabulário para dizer tudo sem machucar os outros. Seria um hábil e vencedor político.

“Nunca disse que sou o melhor do mundo. Prefiro deixar este tipo de opinião para aqueles que são pagos para analisar os jogadores, as partidas, os fatos em geral. Entretanto, não posso negar que acho mesmo que sou um dos melhores do mundo na posição. Acho que isso não é convencimento ou máscara… apenas entendo que tenho condição técnica para equiparar-me aos jogadores mais importantes do planeta. Isso não quer dizer que sou perfeito. Ora, comete erros, afinal sou humano?”

“Procuro treinar muito, adquirir um excelente condicionamento físico. Só assim um jogador pode ter sucesso no futebol de hoje onde todos os espaços do campo devem ser preenchidos, onde a marcação é algo importantíssimo. Primeiro um jogador tem que atacar, partir para cima do adversário e depois defender-se, mas a defesa não pode falhar. Se a gente não marcar direito, toma gols e a vitória vai embora. Em outras palavras, tem que fazer tudo bem feito…”

“O técnico Telê Santana sempre deixou claro que tinha intenções de me colocar no time. Era só uma questão de tempo. Assim que eu pudesse jogar, seria escalado. Isso é bom , dá tranqüilidade, dá confiança, tudo mais… entretanto, cabe a mim mostrar que tenho futebol para permanecer no time.”

“Um time que tem Falcão, Sócrates, Zico, Júnior, eu… é um time poderoso. Não estou desmerecendo ninguém não, mas isso é uma verdade.”

“Quando o time ataca o adversário não sabe o que vai acontecer. A gente olha para um lado e manda para o outro. Eles ficam malucos.”

“A vitória é um outro negócio. Claro que para nós só interessa o título e vamos fazer de tudo para conseguí-lo, mas já ficou provado que o futebol mais bonito é realmente o futebol brasileiro…”

“Aconteça o que acontecer daqui para a frente o mundo já reconheceu que o Brasil pratica o futebol mais alegre e realmente sabe dar espetáculo. Há algum tempo atrás o nosso drama era fôlego, mas com o trabalho do professor Tim até isso já foi conquistado. Não estou otimista demais não, mas é uma verdade: temos criatividade, habilidade e agora pulmão para correr o jogo todo.”

“Na estréia contra a União Soviética e no segundo jogo, contra a Escócia, a Seleção do Brasil mostrou que está perfeita no que diz respeito à resistência física. Não é brincadeira enfrentar aqueles grandalhões e triturá-los fisicamente, como realmente aconteceu. Ora, não venham alguns dizer que os europeus sofrem calor… na terra deles não existe verão?”

Quando foi perguntado ao jogador Toninho Cerezo sobre o que pensava a respeito da opinião de Menotti, afirmando que se dirigisse a Seleção do Brasil com Fillol e Maradona a equipe seria imbatível, o mineiro foi franco:

“O Menotti gosta de dar das dele – sempre dá opiniões sobre o time dos outros. Acho que seria ideal ele cuidar da sua equipe e nada mais. Respeito Fillol e Maradona, realmente dois excelentes jogadores argentinos. Mas o Brasil tem Waldir Peres e Zico e eu fico com os meus companheiros. Goste o Menotti ou não, o futebolista brasileiro é superior. Os resultados provam isso.”

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