Felipe Mello deu um “bico” em Shakespeare

A primeira entrevista coletiva de Felipe Mello deu repercussão.
Certamente, você já ouviu , assistiu e leu as opiniões de jornalistas e radialistas sobre o encontro.
E você tem a sua, claro.
Varios destaques foram extraídos da entrevista do novo jogador do Palmeiras: porrada, bíblia, relação com a imprensa e sobre a falta de coragem dos treinadores que não o chamaram mais para a seleção brasileira.
Foram pouco mais de 30 minutos que renderam manchetes , matérias e programas esportivos.
A maioria das opiniões dos torcedores , nas redes sociais, adorou a primeira entrevista coletiva do jogador de 33 anos. E, justamente, apontada como a grande contratação do Palmeiras para a temporada.
Exceto a assessoria de imprensa do Felipe Mello , todos os demais integrantes da mídia , tambem adoraram .
Fugiu da mesmice . Ufa, e isso tem sido tão raro nos útimos anos.
Tomara durante o dia a dia, antes dos jogos, após as partidas e em todas as coletivas, Felipe Mello continue assim.
Alguns dos meus companheiros disseram que “era exatamente esse tipo de entrevista que esperavam dele”. Lembraram que “é impossível ele esquecer as injustiças que sofreu desde 2010 ” .
Confesso que, a meu ver , ele me surpreendeu.
Não cabe falar como ele será dentro de campo. A bola ainda não rolou.
Mas, fora dos gramados imaginei que o “discurso” seria outro.
Chegou ao atual campeão brasileiro como seu investimento mais aplaudido.
Vai participar das competições mais importantes do continente, bom contrato, bom salário e com a certeza de que receberá em dia.
Até mesmo os que o culparam pela eliminação de 2010 e outros que o consideram um “destruidor” de cabeças, troncos e membros dos adversários, deixaram de reconhecer que o Palmeiras fechou com brilhantismo o seu pacote de contratações.
Não esperava que ele desse tanto material para discussões e comentários, antes de ser escalado como titular do professor Eduardo Batista.
Na minha cabeça ele aproveitaria a ocasião para valorizar a chegada ao novo clube e o fato de ter sua contratação apoiada pela imensa maioria de torcedores e críticos.
Tinha certeza que ele destacaria a sua maneira especial de marcar os adversários , reconhecendo que é um jogador bem eficiente nessa função.
Não acertei quando afirmei que ele aproveitaria o tempo da entrevista para contar os obstáculos vencidos pós 2010: Juventus e Galatasaray .
Apostei que ele lembraria a experiência adquirida até agora com 534 jogos como profissional, 54 gols marcados e 18 assistências, ao longo dos últimos quinze anos.
Falei por aqui que ele iria lembrar sua passagem pela Juventus de Turin, terra que foi capital do Ducado de Savoia cuo símbolo já esteve no distintivo do…Palmeiras.
Arrisquei que Felipe Mello falaria da sua caminhada no Galatasaray da milenar Istambul e de um dos grandes ídolos da história do clube…Tafarel.
Mas, ele preferiu revelar mais uma vez suas mágoas e o inconformismo pelas injustiças que diz ter sofrido ao longo de seis anos.
Nem levou em conta o ensinamento de William Shakespeare “Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente.”

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