Os times e Aristóteles

Não sinto dificuldade em pedir ajuda, porque ajudo.

Não sinto nenhum constrangimento em pedir colaboração, porque colaboro.

A vida é mesmo uma troca.

Eu disse troca, não cobrança.

Ninguém é feliz sozinho.

Ninguém faz tudo, sem ajuda.

Isso vale para todos os segmentos.

Integrantes de grupos vitoriosos se completam.

Na vida, somos uma orquestra ou uma bateria de escola de samba. Pode escolher…

Violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompas, trompetes, trombones, tuba e percussão.

Todos são importantes e precisam estar afinados, sincronizados.

Quem tem ataques de estrelismo deveria ouvir atentamente o famoso Bolero de Maurice Ravel, obra que permite uma visão panorâmica dos instrumentos dentro da orquestra.

Nesta música, os instrumentos apresentam a melodia um após o outro.

Observe que, conforme o Bolero se desenvolve, os músicos vão entrando e encorpando o conjunto, o que garante um aumento sonoro cada vez maior.

A música começa num volume baixo e termina numa explosão de colorido musical, revelando um lento processo de crescimento. Aquele que pensar que a orquestra não existiria sem ele, é sacado do palco ou não terá uma mão estendida em algum momento de dificuldade.

É verdade, também , que algumas pessoas insistem em cometer o equivoco de achar que nunca precisarão de ajuda ou esquecem rapidamente os favores recebidos.

E na arrebatadora Bateria de uma Escola de Samba?

Surdo de primeira, surdo de segunda, surdo de terceira, caixa de guerra, repique, chocalho, tamborim, cuíca, agogô, reco-reco, pandeiro, prato…Quase sempre 300 ritmistas.

E esse pessoal faz apresentações espetaculares. Todos tocando no tempo preciso, interligados no balanço, ensaiados, treinados durante meses.

Todos se sentem importantes e principalmente, parceiros.

Aquele que pensa só nele, é excluído do grupo ou será visto com reservas pelos outros batuqueiros… Na quadra, o “tamo junto” é questão de honra.

Não ser grato e solidário , é imperdoável e triste.

Talvez, o sucesso de muitas equipes, esportivas ou não, tenha esse componente como um dos grandes responsáveis pelos aplausos recebidos.

Aristóteles era um cara polivalente… entendia de muitos assuntos: física, metafísica, poesia, teatro, música, retórica, política, governo, ética, biologia, zoologia.

Esse grego entendia de gente .

E definiu o egoísmo:

“O egoísmo não é amor por nós próprios, mas uma desvairada paixão por nós próprios”.

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