Unificação de títulos deveria vir com bula

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, “Robertão” ou “Taça de Prata”, foi criado em 1967 a partir da ampliação do Torneio Rio-São Paulo. Esta é a origem do atual Campeonato Brasileiro. Isto é indiscutível. Portanto, é mais do que justo considerar os títulos do Palmeiras 67/69, Santos 68 e Fluminense 70 como “brasileiros”. Não importa se chamava Robertão ou Taça de Prata, o importante é que este era o torneio mais forte do país e o campeão era considerado o melhor time do Brasil, ou “campeão brasileiro”.

Robertão = Taça de Prata = Brasileiro. Isso é óbvio. É a História. É a origem do Brasileiro.

É evidente que existia um campeão brasileiro antes de 71, assim como havia campeão mundial antes de 2000. Porém, o torneio mais forte e importante do país era o Rio-São Paulo. A Taça Brasil era menor, acabou extinta. Aliás, o Rio-São Paulo começou na década de 30, com equipes que serviam de base para a Seleção Brasileira.

Pergunte a qualquer pessoa que viveu nesta época. Assim como o mestre Claudio Carsughi, se a pessoa for isenta, vai dizer que o torneio mais forte, mais importante, era o Rio-São Paulo. O campeão do torneio era considerado o melhor do Brasil. Esta competição virou Campeonato Brasileiro. Isso é fato. Prova é que a Taça Brasil foi extinta.

A Taça Brasil servia para apontar o representante na Libertadores. Esta é uma questão política. É um critério de classificação da CBD. Não tem nada a ver com nível técnico e importância. É como Copa do Brasil x Brasileiro. O Brasileiro não tem representantes de todos os estados, mas tem os melhores times do país. A Copa do Brasil tem todos os estados, mas não os melhores do país. Óbvio.

Todo trabalho de pesquisa para reconhecimento de títulos é feito por pessoas obcecadas, que passam a vida defendendo seu clube de coração, como autênticos advogados. Ignoram fatos e defendem teses sem coerência. Na defesa da Copa Rio como Mundial, foram anexadas fotos e manchetes da época. Ora, quem viveu naquela época sabe que aquela competição era um torneio amistoso, com clubes convidados, sem a participação dos melhores da Europa, como confirma Carsughi, que cobriu o evento para o Corriere De La Serra.

A ideia do Dr. Paulo Machado de Carvalho foi válida. Resgatou a auto-estima do povo brasileiro após o desastre de 50. No final, ainda colocaram o caminhão da TV Record nas ruas, com faixa de campeão mundial e fez a festa do Brasil. Genial.

No caso da Taça Brasil x Rio-São Paulo, o argumento primário é que o primeiro reunia todos os estados. Curioso. Neste critério, mantendo a mesma coerência, a Copa do Brasil é mais importante que o Brasileiro; Copa do Mundo só vale depois de 82 quando todos os continentes estiveram representados; Mundial de Clubes só depois de 2000; o campeão da NBA não é o melhor time de basquete dos EUA afinal a NBA não tem representantes dos 50 estados norte-americanos; o tenista medalha de ouro na Olimpíada é melhor campeão mundial do Masters da ATP que reúne apenas os oito melhores do mundo, independente de país ou continente; o campeão da Fórmula 1 não é o melhor do mundo, porque não tem piloto africano; etc…. É um argumento ridículo.

Enfim, a CBF divide mais uma vez o Clube dos Treze, na canetada.

Não importa, o Rio-São Paulo era bem mais forte e importante que a Taça Brasil. Isso é fato.

Quem quiser sair na rua para comemorar, fique a vontade. Eu vi a festa no Robertão e Taça Brasil.

Agora, temos título com bula. É preciso explicar a confusão para os netinhos.

“Vô, em 68 tivemos dois Brasileiros? – Bom meu netinho, não é bem assim….”

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