Lendas da Seleção Brasileira

Gazeta Esportiva

Brasil 70 Aproveitando o ano da Copa, vou atender um pedido do internauta Kleber e republicar um post que fiz aqui no ano passado, sobre as “Lendas da Seleção”:

A melhor seleção que vi jogar foi a de 70. Mesmo assim, é preciso cautela com o endeusamento dos saudosistas. Como todas as outras seleções, aquele time foi vaiado e criticado. Saiu malhado do Brasil.

Nas Eliminatórias, jogou contra o vento. Venezuela e Colômbia não jogavam bola. O Brasil sofreu contra o Paraguai, no Maracanã. Venceu no bico do corvo por 1×0. Gol do Pelé.

Na despedida, a Seleção tomou baile do Atlético Mineiro, no Mineirão. Perdeu por 2×1 para o time de Dario, Lola e Humberto Ramos, futuro campeão brasileiro em 1971. Muitos jornalistas defendiam a tese de levar um clube para representar o Brasil. O Galo era o time do momento. O ex-técnico João Saldanha dizia que Pelé era cego. Parece piada, mas era verdade. Não havia um time titular.

O Brasil viajou cedo para o México e fez uma bela preparação. Fez a diferença.

O Brasil de 70 foi uma das primeiras seleções a utilizar a preparação física. Carlos Alberto Parreira fez um trabalho inovador. Ganhou os jogos mais difíceis graças ao preparo físico, aliado ao talento indiscutível de feras como Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Clodoaldo, Carlos Alberto e Gérson.

Na estréia, jogou mal contra Tchecoslováquia. Durante uma hora, ficou no 1×1. Quando os tchecos morreram, veio a goleada. No gol da virada, aos 60 minutos, Jairzinho fez fila, driblando adversários exaustos. Contra a Inglaterra, novamente a vitória só veio aos 60 minutos. Ganhou bem da Romênia e Peru. Na semifinal, contra o Uruguai, só saiu do empate aos 76 minutos. Na final, contra a Itália, outra vez prevaleceu o preparo físico. O gol da vitória só veio aos 66 minutos.

O Brasil era o melhor do mundo. Era uma super seleção, mas a imagem de que o time saia massacrando desde o início é lenda. na verdade, decidiu a maioria dos jogos na última meia-hora, no contra-ataque. É lenda também dizer que “No meu tempo só jogavam craques na Seleção”. Félix, Brito, Baldocchi, Fontana, Joel, Roberto Miranda, Everaldo, eram bons jogadores, não craques.

A Seleção de 82 também foi maravilhosa, jogava um futebol bonito, mas foi endeusada. A memória é curta. Na estreia, ganhou da Rússia no apito. Jogou mal. Venceu com gol aos 88 minutos. Tudo bem, estreia é estreia. Golear Escócia e Nova Zelândia é natural. A melhor exibição foi contra a Argentina de Maradona. Eles haviam perdido da Itália, precisavam da vitória, vieram pra cima e abriram a defesa. O Brasil jogou uma bela partida, mas embarcou na euforia. Perdeu da Itália.

Holanda 74 e Hungria 54 pelo menos chegaram na final.

Seleção Brasileira é 8 ou 80. O torcedor é apocaliptico ou ufanista.

Calma, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

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