Itaquerão tem “naming right” mais caro do planeta

Gostaria muito que a estória do Pinóquio fosse verdade. Já imaginou o que teríamos de narizes crescendo até 2014? Seria o máximo. “Naming rights”, palavra de origem inglesa, significa o direito sobre a propriedade de nomes. Isso é utilizado nos Estados Unidos e Inglaterra, mas nem sempre dá resultado. Se o complexo esportivo já tiver nome, como Madson Square Garden, Flushing Meadows, Crandon Park ou Wembley, jamais será chamado de outra forma.

No Brasil não funciona. Nunca deu certo. A Arena da Baixada, estádio do Atlético (PR), jamais foi chamado de Arena Kyocera. Trabalho com eventos e circuitos esportivos desde 1986. Não rola. O único valor de ter o nome no estádio é a visibilidade daqueles que passam pela região. Neste caso do Itaquerão, além dos torcedores que frequentarão o estádio, é preciso somar o potencial de consumo da população de Itaquera.

Pelas contas da Odebrecht, o Itaquerão vale mais que todas as arenas do planeta.

É evidente que a construtora não vai colocar seu nome no estádio. Certas empresas querem distância da mídia. Além disso, sabe que não vale a pena. Isso é coisa para Petrobras ou Banco do Brasil, empresas que não avaliam retorno do investimento. São decisões políticas. Como o Corinthians tem dívidas atrasadas e impostos não recolhidos, não pode contrair empréstimos governamentais. Portanto, a Odebrecht entrará no negócio solicitando o dinheiro junto ao banco público BNDES. Segundo a construtora, seriam R$ 335 milhões. O valor final com juros não foi informado.

Disse aqui no Blog que não pegar no BNDES não entra na Copa. Viu Beira-Rio?

Além de não colocar na conta o risco e os juros que estará pagando ao BNDES, a Odebrecht fez questão ainda de colocar no contrato que o que passar dos R$ 335 milhões numa possível venda do “naming rights” ficará com o Corinthians. É um Papai Noel maravilhoso.

Apenas como comparação, veja os valores do “naming rights” em alguns estádios famosos:

Futebol
Emirates Stadium (Inglaterra): U$ 90 milhões ou R$ 156 milhões por 15 anos
Allianz Arena (Alemanha): EURO 90 milhões ou R$ 199 milhões por 15 anos

Estados Unidos (valores incomparáveis no planeta)
Gillete Stadium (New England): U$ 90 milhões ou R$ 156 milhões por 15 anos
American Airlines Center (Miami): R$ 195 milhões ou R$ 339 milhões por 30 anos

Itaquerão (Itaquera): R$ 335 milhões + juros do BNDES por 15 anos.

Sobre naming rights, é válido lembrar que na Liga dos Campeões nunca é citado o nome “Emirates Stadium”, mas sim “Arsenal Stadium”, devido a acordos com o organizador. Entre os torcedores dos Gunners, o estádio ainda é chamado carinhosamente pelo nome antigo, Highbury.

Depois dos últimos acontecimentos, será que tem algum cidadão inocente ainda acredita nas versões de vetos da FIFA? Será que ainda acreditam que existe aprovação pela FIFA? Será que acreditam na seriedade dos envolvidos no esquema do Itaquerão? Sou absolutamente favorável ao Corinthians ter seu estádio. Sou absolutamente favorável a melhorias em todas as regiões da cidade, independente da Copa e não só em Itaquera. Mas nunca desta forma.

A Copa no Brasil está apenas começando.


Obs: Não perca tempo com e-mails agressivos a favor ou contra o clube A ou B. Não entra. Coloque sua opinião, justificando, mas não ofendendo. Neste post só serão publicados comentários com argumentos, sem calúnias.

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