Danilo foi punido por injúria qualificada, não crime de racismo

manoelDanilo, ex-Palmeiras, foi condenado em primeira instância a um ano de reclusão e multa de R$ 27.120,00.

Réu primário, Danilo poderá cumprir a pena em regime aberto.

A condenação poderá ser substituída por uma prestação pecuniária de 500 salários mínimos, cerca de R$ 339 mil, destinados a uma instituição de caridade de São Paulo.

Cabe recurso.

Manoel, o zagueiro ofendido, vai pedir uma grana. Aí, sinceramente…

Danilo já vai pagar, caso a sentença seja confirmada, uma bela grana.

Pela legislação, Manoel tem todo direito a pedir uma indenização, mas não entendo como o dinheiro poderá “fazer justiça” neste caso. Sentiu-se ofendido? Ok, vai lá e ferra o cara. Mas qual o sentido do dinheiro? Resolve o quê? Manoel vai sentir-se menos ofendido?

Sei lá, aí já é negócio de advogado, negócio lucrativo.

Argumentos não faltam para bons advogados. Não vou entrar no mérito. Queria ver o Manoel doando a indenização para uma entidade que combate o racismo. Ou será que ele precisa do dinheiro para um “tratamento psicológico” para “superar o trauma” de ter sido ofendido durante uma partida de futebol?

Na minha opinião, Danilo já pagou e foi condenado na ação criminal.

De qualquer forma, esta é uma outra história, não sou advogado, sou jornalista. E como jornalista, a única coisa que deveria ficar clara, e tem muita gente fazendo confusão, é chamar isso de “crime de racismo”. Não tem nada a ver. Esta é uma informação errada.

Crime de racismo é outra história.

Crimes de discriminação de cor, etnia, raça ou religião foram definidos pela Lei 7.716/89. Uma pessoa que impede o acesso, por exemplo, de um “afro-descendente” (detesto este termo) a um restaurante; uma escola que recusa a matrícula de um aluno em virtude de cor, etnia, raça ou religião…. Aí sim, cabe o “crime de racismo”.

Não foi o caso do Danilo.

No caso do Boateng do Milan, onde a torcida ficou xingando, induzindo ou incitando a pratica de racismo e discriminação, aí sim é ato racista. Não foi o caso de Danilo.

Lembram do Desábato?

Pois é, aquela detenção foi uma aberração. Para haver injúria ou ofensa é preciso que o ofendido sinta-se ofendido e faça a queixa. Prenderam o argentino antes da queixa. Aliás, depois da prisão avisaram o Secretário de Segurança Pública e Grafite foi convencido no vestiário a fazer a queixa, caso contrário o Estado poderia ser processado pelo Desabato.

Aquilo foi abuso de autoridade, o gringo dormiu no xilindró.

Nada justifica alguém chamar o outro de “macaco”. Nada. É lamentável. Mas o ambiente, clima de jogo, tensão, discussão, calor da disputa, é atenuante. Danilo deveria ser punido, claro, mas uma coisa é chamar um atleta homossexual de “viado” durante uma briga de jogo, outra é chamá-lo de “viado” numa entrevista coletiva após o jogo.

NADA JUSTIFICA UM ATLETA CHAMAR O OUTRO DE MACACO.

Repito: NADA JUSTIFICA UM ATLETA CHAMAR O OUTRO DE MACACO. NADA.

Mas a ofensa, durante uma discussão, numa briga de futebol, depois do Manoel ter dado cabeçada no Danilo, empurra-empurra, xingamentos, deveria servir de atenuante.

De qualquer forma, acho positivo que algo tenha sido feito.

Danilo será o primeiro caso, e esperamos que seja o último. Daqui pra frente, na hora da cabeça quente, chama de tudo, menos de “macaco”.

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FOTO Star Assessoria e Planejamento Esportivo

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