Xingar não é crime de racismo

Foto Rubens Cavallari / FI

manoel-x-daniloEm 2005, na partida São Paulo x Quilmes, o zagueiro Desabato teria xingado o atacante Grafite de “Macaco”. Os veículos de comunicação criaram um clima de vingança tão grande, que o secretário da segurança pública mandou prender o argentino, dentro de campo, mesmo aconselhado a não fazê-lo pelos advogados. Foi total abuso de poder.

Desabato teria no máximo cometido injúria ou ofensa, com agravante racista.

Para minimizar o abuso, precisaram convencer o Grafite a dar queixa, pois tratava-se de uma ação penal privada que só poderia ser aberta pelo Grafite. Se uma pessoa xingar a outra, o policial não pode fazer nada. Ele só poderá atuar se a pessoa que sentiu-se ofendida pedir para abrir uma ocorrência.

O Grafite já estava tomando banho, esfriando a cabeça.

Desabato poderia ter processado o Estado. O gringo passou a noite na cadeia. Ganharia fácil. Não aprovo ofender outra pessoa, ainda mais com termos racistas. Mas, é preciso entender que xingar numa partida de futebol, não é crime de racismo.

Crime de racismo é praticar, induzir ou incitar, pelos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional. Isso é muito mais sério.

Ontem, o zagueiro Danilo pisou na bola. A cusparada foi horrível. Manoel tem todo o direito de abrir uma ação. O jogador do Atlético PR tem o direito de processá-lo. Foi lamentável, mas dentro de campo nem tudo o que é falado pode ser levado tão a sério.

  • 98 Comentários

    Adicionar comentário

    O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *