“Maconha me causou transtorno de ansiedade , transtorno bipolar e surto psicótico “

“Maconha me causou transtorno de ansiedade e surto psicótico”, alerta em Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas rapaz da alta classe média de São Paulo, que participa hoje da Campanha em apresentação reunindo duas escolas: a ETEC dra Maria Augusta Saraiva e a ETEC Sebrae, em Campos Elíseos, região central da Capital. “Tenho 36 anos, três internações por dependência de drogas e todas as consequências do uso de maconha. Os efeitos colaterais da erva que dizem inofensiva eu carrego todos. Sofro de transtorno de ansiedade e aos 23 anos tive um surto psicótico seguido de episódios de esquizoparanóide.Devido ao uso abusivo da maconha e, também de outras drogas, sofro de transtorno bipolar e vou ter que tomar remédios para esse problema para o resto da minha vida”. Em recuperação e indicado à Campanha pelo seu psicólogo Mateus Fiuza, ele protesta contra propostas para legalização da maconha e de outras drogas no Brasil. “Muito me admira políticos engajados na liberação dessa droga para uso recreativo. Somente posso lamentar o desconhecimento dos efeitos maléficos do uso abusivo dessa substância.”

SUA HISTÓRIA:

“Sempre fui bom aluno. Com apenas 15 anos era sócio de um jornal que era veiculado em bancas. Era um líder nato. Fazia parte de um grupo de jovens ligados `a política estudantil e movimentava bastante os alunos do meu colégio. Um colégio de alta classe de São Paulo.

Nós tínhamos laboratório de química, física e biologia todas as terças no período da manhã. No intervalo, era comum irmos a uma lanchonete perto da escola para nos embriagarmos de álcool. Era ‘ moda’ às terças-feiras entrarmos bêbados na aula.

CONHECI MACONHA COM OS COLEGAS DE ESCOLA-Numa dessas terças fatídicas e irresponsáveis, havia um grupo de jovens do mesmo colégio do outro lado do balcão. Eles eram os ‘caras legais’. Eram mais velhos e muito respeitados.Um dia estava sozinho nesse bar e esse grupo de alunos mais velhos também. Me aproximei e perguntei sobre o que eles estavam falando. Como eu era bem conhecido no colégio e era figura frequente daquele bar, eles me deixaram entrar no papo.Eles falavam sobre maconha.Eu já ouvira falar dessa droga. Aliás, como era muito bem informado, já ouvira falar de todas as drogas daquela época.Em um dado momento da conversa eles disseram que iriam fumar maconha e me convidaram.Com medo, mas muito curioso, aceitei.Fomos para o apartamento de um deles bem perto da escola. Já no quarto, um deles sacou um pacotinho de algo verde que mais parecia mato. Enquanto isso, o outro preparava um papel. Eles iam me explicando todo o processo. Desde a preparação da maconha, quando se “dixavava” a droga `a preparação do cigarro em si.Tudo pronto.
O cigarro de maconha estava pronto e um deles o acendeu. Deu um profundo trago e me passou a droga dizendo: Dê um longo trago e segure a fumaça no pulmão.
Foi o que fiz. E assim seguiu para os todos ali presentes.O baseado chegou ao fim. Os outros dois estavam lentos e riam de qualquer coisa.Eu, ao contrário, estava com um enjôo de quase querer vomitar. Pedi para ir embora.Cambaleando sai do apartamento e nem sei como consegui apertar o botão de térreo no elevador.Alcancei a rua e sentei no meio fio. Estava muito, mas muito mal mesmo. Devo ter ficado ali por uns 30 minutos até aliviar o mal estar.Quando consegui me restabelecer, voltei para minha casa.Ainda atordoado, fiquei com um sono incontrolável. Deitei no sofá e dormi. Não sei precisar por quanto tempo. E quando acordei me bateu uma fome avassaladora.Deste dia em diante, fumávamos maconha todas as terças-feiras.Foi quando na escola fizeram um teste vocacional com exame psicotécnico.Os testes, como já era de se esperar, apontaram uma caída de rendimento escolar.

Minha mãe foi chamada , assim como eu. Tanto minha mãe, como eu, conversamos com a psicóloga da escola. A profissional apontou vários problemas com relação a minha mudança de comportamento.

MINHA CASA VIROU O CENTRO DOS MACONHEIROS DA ESCOLA -Passaram-se alguns dias e minha mãe me chamou para conversar. Perguntou se eu estava fumando maconha.Como sempre fui muito ligado a ela, respondi que sim.Ela então me disse que se eu quisesse fumar que o fizesse dentro de casa. Ou seja, ela estava autorizando que eu fumasse maconha dentro de casa para não ter problemas com a polícia.Foi o que comecei a fazer. Agora sem bloqueios e com total liberdade.Nessa época, minha casa virou o “centro dos maconheiros” da escola.Como era de se esperar, repeti naquele mesmo ano a série que eu cursava e passei por diversos colégios até conseguir me formar no ensino médio.Era visível minha mudança de estilo de vida e de comportamento, mas minha mãe pensava que já que eu era relativamente produtivo, não tinha problema continuar usando drogas. Abandonei 3 faculdades e nada fez com que eu parasse com as drogas

A maconha foi uma das drogas que usei dos 15 anos até meus 36 anos.
Os efeitos colaterais dessa erva que dizem inofensiva eu carrego todos.
Sofro de transtorno de ansiedade, com 23 anos tive um surto psicótico seguido de episódios de esquizoparanóide. E, devido ao uso abusivo da maconha e, também, outras drogas, sofro de transtorno bipolar e vou ter que tomar remédios para esse problema para o resto da minha vida.

Esta é minha história com a maconha.”

Em Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas , hoje reunindo duas escolas públicas, participam também dependentes em recuperação indicados por Miguel Tortorelli, coordenador do AMOR EXIGENTE REGIÃO NORTE e Alexandre Araújo, diretor da Associação Intervir. Porque esta é Campanha que há 12 anos defende: informação é arma poderosa contra as drogas.

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