Crack lesa cérebro, pulmões, coração e rins; usuários fumam a droga nas ruas de SP

Usuários de crack estão nas ruas, nas praças e sob viadutos em São Paulo. São jovens, homens e mulheres que trocaram casa, família, emprego e estudos pela droga. Sujos, dividindo comida com ratos e baratas, eles são vistos sozinhos ou em grupos exibindo o crack nas ruas de São Paulo, sem que as autoridades de saúde adotem medidas efetivas, de fato, para tratar essas pessoas.
O nome crack se deve ao pequeno estalo ouvido no ato da combustão, quando fumado. Para fumar são utilizados cachimbos artesanais ou latas, que estão no lixo. Também é misturado com maconha, em cigarro chamado mesclado; outra forma de uso é misturado com cigarro, chamado pitilho. Segundo o psiquiatra Marcelo Ribeiro, no livro “O tratamento do usuário de crack”, “Fumar o crack expõe o pulmão ao vapor e a outras impurezas contaminantes. Todos os componentes do pulmão podem ser lesados. Pela via pulmonar, o crack chega ao cérebro mais rapidamente sem passar pelo fígado, e os efeitos surgem em 10 a 15 segundos. Seu efeito dura, no máximo, cinco minutos. No cérebro, potencializa a liberação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Dopamina promove sensação de bem-estar; serotonina regula sono e apetite; e a noradrenalina influencia no humor e na ansiedade“.

O efeito do crack é devastador, advertem psiquiatras especializados no tratamento de usuários de drogas no Brasil. “O crack diminui o funcionamento cerebral, afasta o usuário da família e ele passa a ter grande risco de morte nos primeiros anos de uso”, explica o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo). E continua: “O crack produz dependência muito maior do que a da cocaína. Quem fuma crack, não faz mais nada na vida, além de fumar a droga. Às vezes, passam dois ou três dias fumando crack e só param quando não suportam mais fisicamente. Chama-se dependência, uma doença do cérebro.”

Também o psiquiatra Pablo Roig, diretor da Clínica Greenwood, e integrante da Campanha da Jovem Pan, avisa: “Usuários de crack, muitas vezes, são pessoas que agem como psicopatas, porque não têm a parte pensante do cérebro ativa. Eles são puro impulso.”

Conforme relatórios médicos, além do cérebro, o crack danifica coração, pulmões e rins, causando:

· ruptura da aorta, arritmias e infartos

· acidentes vasculares cerebrais (derrames)

· edema agudo do pulmão aparece na necropsia de 80% das mortes relacionadas ao crack

· insuficiência renal aguda tem sido uma das causas mortes entre dependentes de crack

Criança da alta classe média já fuma crack – Nem crianças estão livres do risco dessa epidemia. O psicólogo Diego Batista Bragante conta na Campanha da Jovem Pan que já atende “adolescentes de 12 anos dependentes de crack e precisando de internação. Começaram experimentando maconha com os colegas de condomínio ou escola, e ,em seguida, o mesclado (mistura de maconha com crack). E se viciaram no crack. Precisam de internação. Mas pela idade, têm que ser internados com o pai ou com a mãe ou acompanhados de um enfermeiro, o que eleva o custo da internação para mensalidades que variam até 50 mil reais por, no minimo, três meses. E são poucas as clínicas que aceitam internar nessa idade.”

35% dos suicídios relacionados ao uso de drogas têm associação com o uso de crack, informa o psiquiatra Marcelo Ribeiro, no livro “O Tratamento do usuário de crack”.

O uso do crack é causa também do aumento dos homicídios, roubos e sequestros em São Paulo, informa o Ministério Público. “Para conseguir dinheiro para comprar a droga, o usuário do crack furta, rouba, mata. Mais de 50% das mortes de usuários de crack foi decorrente de homicídios, especialmente por armas de fogo.”

Em Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas, campanha com apoio da Lincx Sistemas de Saúde e da Sociedade de Pediatria de São Paulo, sobreviventes do crack, que foram internados várias vezes, contam suas histórias. Todos começaram com bebida e maconha, depois, cocaína e crack.

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