“Com o uso de drogas, meu filho teve surto psicótico e queria se matar”

“O meu filho começou a apresentar um comportamento depressivo, autodestrutivo e foi piorando. Via coisas, queria se suicidar. Chorava em cima do prato de comida, aí resolvi levá-lo para um pronto socorro psiquiátrico. E ele teve o primeiro surto psicótico, parecia que  ia destruir o hospital”, conta nesta segunda parte de seu depoimento mãe de dependente de drogas já internado três vezes em São Paulo.LEIA A PRIMEIRA PARTE DE SEU DEPOIMENTO EM http://blogs.jovempan.uol.com.br/campanha/na-oitava-serie-meu-filho-foi-flagrado-com-maconha/ 

Esta mãe e o padrasto do rapaz frequentam as reuniões do AMOR EXIGENTE EM SÃO PAULO. Ela declara: “O Amor Exigente está me ajudando muito e pode ter certeza que muitas coisas que fiz hoje, não faria de forma alguma.”,  

Ontem, ela descreveu sua família. Hoje, revela as  drogas que o filho usou:cola, maconha, cocaína,lança-perfume, LSD e ecstasy. A primeira internação foi em 2011 na Clínica Nossa Senhora do Caminho, em Guarapiranga. A segunda, no final do ano passado, na Sagrada Família, em Vargem Grande. E logo que deixou a Sagrada Família,em março deste ano, foi preciso uma internação  involuntária, desta vez, na Clínica Veredas, em Atibaia. Depois de um mês,  foi transferido para a Unidade Veredas de Terra Preta, distante duas horas de São Paulo, onde continua internado. Ela autorizou a Campanha da Jovem Pan  a publicar sua história. Mas com uma exigência: não revelar o seu nome, o do filho e o nome do padrasto. Uma mãe que mudou toda a sua vida para cuidar do filho, que desenvolveu esquizofrenia com o uso de drogas. “Vivo para o meu filho”. ACOMPANHE O SEU DEPOIMENTO:

”Cabe ressaltar que o padrasto do meu filho não mora em casa, apesar de estarmos  juntos há 16 anos . Tentamos juntar os trapos em 2007, mas a relação durou de março a novembro depois voltamos para a mesma forma, cada um no seu lar, vivendo todos juntos finais de semana e feriados prolongados, doenças, internações, férias, etc… (foi uma época difícil para eu e o meu filho, visto que morar junto é diferente).

Mas ele sempre foi presente nas situações difíceis e quando o meu filho estava na Delegacia recorri a ele que agilizou o atendimento pressionando o investigador e o Delegado. Mesmo assim passei o dia inteiro na Delegacia, cheguei por volta das 10h e saí às 18h, com um boletim de ocorrência encaminhando o meu filho para a Vara da Infância.

No dia seguinte comparecemos na Vara da Infância e por misericórdia de Deus o meu filho foi absolvido, visto que julgaram que ele era laranja, inexperiente no assunto e o processo foi arquivado.

Mas tudo tem um preço, o  meu filho não podia mais frequentar as aulas uma vez que estava marcado pelos amigos e depois de um acordo com a Diretora, porque ameacei ir à Delegacia de Ensino, o  meu filho fez trabalhos em casa, (eu também fiz, ele apenas copiou) para compensar as ausências e passou de ano, porém a Escola disse que nunca mais ele iria estudar lá. Ele sempre teve muita dificuldade em ler rápido e interpretar textos.

Independente de tudo isto nunca deixei o meu filho ser baladeiro e dormir fora de casa, ia sim a algumas festas, mas sob meu controle.

Começamos a estranhar que o meu filho devia muito vales no mercado onde trabalhava, depois que juntei as peças que os vales eram para comprar droga. Os patrões do meu filho incentivavam os funcionários a pegarem vales e o meu filho tinha o mercado como um sonho de emprego. Até que um dia o patrão dele disse depois de quatro anos trabalhados que ele não tinha intenção de registrá-lo e que poderia encontrar outro emprego. O mundo do meu filho desmoronou, porque os amigos deles foram registrados.

No 1º colegial o meu filho me deu trabalho no outro Colégio que consegui muitas reclamações, muito tudooooo…

Em junho de 2011 exumei o corpo de minha irmã, fiz questão de assistir, queria ter certeza que ela estava morta, pode? Quando vi sair sua roupa, mesmo que suja e seu cabelo que era alongado sair da cova, aí sosseguei. Tive a certeza que perdi minha irmã. Hoje guardo saudades no coração.

Em meados de outubro de 2011 o meu filho começou a apresentar um comportamento depressivo, autodestrutivo e foi piorando. Via coisas, queria suicidar-se. Chorava em cima do prato de comida, aí resolvi levá-lo para um pronto socorro psiquiátrico. A psiquiatra pediu vários exames clínicos, sangue, tomografia etc… Eu e o padrastro dele o levamos ao Hospital Paulistano e lá durante os procedimentos ocorreu o primeiro surto psicótico. Pensamos que ele ia destruir o Hospital. Agrediu equipe de enfermagem, médicos, padrasto, e Aldol na veia. Fugiu do hospital num descuido, tirou o acesso da veia, teve polícia, nem gosto de lembrar… Pernoitamos no hospital e no dia seguinte à noite conseguiram uma vaga no Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora do Caminho – Sagrado Coração de Jesus, fomos removidos de ambulância e a internação durou um mês.

Nesta internação levei um golpe! O meu filho confessou que fez uso de maconha, êxtase, LCD, cocaína, lança perfume e então surtou!

Depois da alta ele foi para Hospital Dia no Núcleo Sistema de Saúde Mental com as hipóteses diagnósticas pelo CID-10 F 70.0, F 32.3, F 29 e F 19.3. Medicação Donaren 50 mg + Respiridona 2 mg e Prometazina 25 mg.

Deram alta antecipada alegando que o meu filho não aderia muito bem aos tratamentos propostos. Na realidade o Núcleo Sistema de Saúde Mental não tratava de dependentes químicos associados a problemas mentais e o meu filho estava atrapalhando a rotina do Hospital Dia, porque os pacientes gostaram dele e começaram a desabafar sobre suas dependências químicas, o que ocorreu em várias altas administrativas para outros pacientes, uma vez que omitiram por ocasião do tratamento o uso de outras substâncias.

Depois disto , foi passando em consultório de psiquiatria, mas ele ainda não tinha recuperado toda sua coordenação mental.

Ele teve que sair do mercado, devido visões, reverbações do pensamento, falta de coordenação motora etc…  Até aí eu já tinha sido demitida do meu último emprego e nunca mais pude trabalhar fora. Vivo em função do meu filho.

Quando ele sentiu-se melhor ele voltou para a cocaína dizendo que estava usando socialmente. Foi aí que ele começou a demonstrar um novo surto e foi encaminhado para o CAPS pelo Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes. Segundo o psiquiatra que o atendia no CAPS Adulto, Dr. Volney ,ele era esquizofrênico CID F20.

Só que ele manipulava tudo e queria usar droga e tomar os remédios, eu tinha que esconder os remédios porque ele estava ficando hipocondríaco.

Depois de um tratamento sem sucesso o Dr. Volney encaminhou ele para o CAPS álcool e drogas e houve a primeira internação pelo SUS de 6 meses. (Set./2012 saída março/2013).

O único problema desta internação era as regalias e o meu filho aprendeu a manipular as pessoas com sua bondade, diagnóstico de esquizofrenia e ajuda voluntária. No quinto e sexto mês ele acordava a hora que queria manipulava até os medicamentos para dormir, pedia diazepan 20mg para não acordar cedo alegando que não conseguia dormir e foi indo assim até ter alta.

Saiu da clínica dia 11/03, recaído e vendendo tudo de valor que ele tinha. Camisetas de marca, PSP portátil, vendendo não passando na biqueira. Foi aí que eu soube da Clínica Veredas e fiz a internação involuntária.

Depois de um mês ele queria sair da clínica, esbravejou e disse que minha palavra não valia um conto. Disse que não queria minha visita. Doeu, mas fui irredutível.

Erros que cometi: por medo de ele não voltar devido à doença mental às vezes levava ele na biqueira. Nas duas internações SUS e Veredas, passamos na biqueira antes a pedido do meu filho e eu não conseguia dizer não.

Erros do padrasto: intolerância total, toda vez que a coisa ficava feia ia embora para sua casa, mas deixava um estrago em casa, soltava seu veneno verbal e deixava o meu filho em surto para eu resolver o pepino.

O Amor Exigente está me ajudando muito e pode ter certeza que muitas coisas que fiz hoje não faria de forma alguma.”

ATENDIMENTO GRATUITO DO AMOR EXIGENTE NO FÓRUM SANTANA,EM SÃO PAULO:coordenação de Miguel Tortorelli,  responsável pela Federação do Amor Exigente na Região Norte de São Paulo e integrante de Jovem Pan Pela Vida, Contra as Drogas. ENDEREÇO-(Av.Engenheiro Caetano Álvares, 594- Casa Verde, terceiro andar, sala 363)- Terças-feiras, às 17h. Participam dependentes químicos e suas famílias.  

ATENDIMENTO GRATUITO DO AMOR EXIGENTE NA PARÓQUIA SANTA JOANA D’ARC (R. Gaurama, 192, Tucuruvi,São Paulo), às quarta-feiras, das 20h ás 22h. Participam dependentes de drogas e suas famílias . Coordenação: Regina e Miguel Tortorelli. 

 

 

 

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