Cracolândias: sofrem famílias, lucram traficantes. Até quando,Prefeito?

Izilda Alves   13/11/2017   Comentários desativados em Cracolândias: sofrem famílias, lucram traficantes. Até quando,Prefeito? | Shortlink:

O homem parado em frente ao bar esqueceu sua família, sua história. Oito e meia da manhã desta segunda-feira, na alameda Barão de Limeira esquina com alameda Ribeiro da Silva, ele pede café. O vento é frio, mas ele está descalço, com roupas sujas e esfarrapadas. Sua única proteção é um cobertor enrolado no corpo . Banho não toma há dias porque de onde veio só existe uma preocupação: fumar crack. Assustadora, triste realidade que o Prefeito João Doria, quando candidato prometeu acabar, mas que continua no centro de São Paulo e em vários bairros da cidade.

O homem na frente do bar é um dos 400 dependentes que permanecem na cracolândia da estação Júlio Prestes, ao lado da Sala São Paulo, cartões postais hoje evitados pelos moradores da cidade por medo de assalto, pelo cheiro nauseante da droga, da urina e até fezes que a água jogada no chão não consegue eliminar e, principalmente, pela dor de ver pessoas abandonadas e escravizadas pelo tráfico de drogas mostrando toda sua miséria nas ruas de São Paulo. Eles fumam crack, a droga que vicia mais rapidamente “já no primeiro ou segundo uso”, alertam pesquisas. “Por dia, são de 10 a 40 pedras”, conta quem está em recuperação após internação de até seis meses em clínicas particulares em São Paulo onde se confirma:. “ Dependente de crack, não faz mais nada na vida, só quer fumar a droga.”

Onde estará a família desse rapaz enrolado num cobertor em frente a um bar ? E sua mãe, que acumula o sofrimento de ver o filho que gerou por nove meses, criou enfrentando todas as dificuldades e que perdeu para traficantes lucrarem com drogas na cidade onde acreditou que o filho teria um futuro?

Como o homem enrolado em um cobertor na frente do bar, há outros nas calçadas da Barão de Limeira em frente a supermercados e também jogados no chão próximo a lixo em frente a prédio do governo do Estado.

Drama humano, epidemia . MAS ainda sem solução na saúde pública do município,que atende dependente somente se aceitar tratamento, apesar de todos os especialistas alertarem: “o dependente de drogas tem grande dificuldade em aceitar o tratamento”. E fica a pergunta: para que serve a lei 10.216 que autoriza a internação involuntária, aquela onde a família autoriza a pedido do psiquiatra? Por que não é cumprida pela saúde pública municipal de São Paulo?

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm

Devastadora desgraça humana, onde famílias choram e traficantes lucram. Preocupante realidade, mas ainda sem solução em São Paulo.

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